sexta-feira, 25 de abril de 2014

Queria escrever-te uma carta, pousar-ta na janela. Depois atirava-te seixos à janela e fugia com uma flor na mão, só para relembrar o cheiro dessa pele bela e branca que tantas vezes repousou sobre mim.
Foi morena em tempos, mas pintei-a com a tinta mais pura que encontrei perdida, sabe-se lá onde. Tu sempre gostaste.
Escrevi-te imensas vezes, sabes? Nunca chegaram à tua porta.. Diziam que tinha uma barreira algures, que era impossível chegar perto de ti. Eu cheguei.
A tua nudez deixou-me perplexo, sempre senti que fosse o homem. Era?
É uma confusão a ideia de paixão que temos na cabeça, que nos impingem desde miúdos e que aprendemos a idolatrar só porque tudo está bem quando acaba bem, mas contigo sinto que não foi bem assim. Sei-o.
Vou pintar-te os lábios com o vermelho mais puro de todos os vermelhos, cobrir-te o rosto como quem fica rosado quando vê o primeiro amor e realçar-te esses olhos com o verde mais azul que encontro.
Como sabe bem ser mulher.
Homem? Não sei.
Sinto que nos fomos perdendo na procura de algo que não nos pertencia, que fomos desmoronando o nosso próprio amor com as tentativas perdidas, com o esforço de sermos um só.
Sinto que o amor nos gastou sem que nós déssemos conta que não mais de amor se tratava.
Vou congelando e morrendo aos poucos nessa cor tua, a mais suave que pintei, para morar no ardente de que sempre fugi.
Num suspiro,
Num muro,
Num abrigo,
Num sussuro.
Eu espero
por todas essas coisas
que um dia
te direi.

Nenhum comentário:

Postar um comentário