Sinto que deixei o amor nas ruas da amargura no dia em que não mais vi o sol nascer; no dia em que deixei a lua, tão cheia de si, sem a luz que o seu amor lhe concede para que todas as noites possa guiar os amantes e o amor da forma que só ela entende.
Infortúnio, é o que sinto por não mais ver na exactidão dos teus olhos aquela cor do mais profundo azul que o mar nos trazia. Sinto-me a perder-te, nos, mais do que a amar-te.
Lavo as mãos exaustivamente. Tento encontrar-te na mais pura forma de me desgarrar do que mais sujo vejo em mim, ou naquilo que deixo chegar-te... mas o sabão é muito e as misturas nunca nos fizeram bem.
Cheira-me a limão.. os olhos choram-me e o coração grita por esse sabor agridoce que dos teus lábios me chegou bem como a promessa de todos os mil e um dias que iríamos passar juntos.. Sempre consideramos que isso fosse sempre contando com uma vida depois da morte em que ser-nos-ia concedido um paraíso por nos mantermos fiel ao amor que nos foi dado.
Deito-me então consciente de que o amor ficou retido apenas e tão somente na tinta do meu teto para que possa olhá-lo mas não tocá-lo sem cair.
E adormeço.
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