sábado, 10 de maio de 2014

Ao longo do tempo fomos perdendo o contacto e o tacto. Perdemos o sentir das coisas, as rugosidades das palmas das mãos a roçar completamente na serenidade e leveza das tábuas, das mesas onde deixávamos tudo bem explícito.
Fomos perdendo o amor às cartas, o amor às mãos e aos abraços entrelaçados. Fomos perdendo o som um do outro e varremos do peito a respiração das noites mais quentes. Vamos perdendo os laços.
Tão estranho é agora não gostar disso em ti, de ti em particular. É vazio e estupidamente cheio. É óptimo mas estranho. Acho que os carros andam rápido e nós, como passageiros pensamos ainda estar num comboio, mas não.. desta vez temos de guiar, temos de ser nós a pôr a rádio mais alta e baixar o aquecimento para que possa finalmente ser Verão.
O que será dos autocarros sem nos ver passar? O que será verem-nos com outro rumo? Tão estranho, tão bom. Mas tão estranho.
Vou deixar uma última manta aos pés da cama, para que te aqueças quando tiver de ir embora, para que não queiras ocupar o lado fulcral do meu sono.

Nenhum comentário:

Postar um comentário