quinta-feira, 31 de julho de 2014

Não é que o amor me caia aos pés não.. cai-me nos ombros.
Sinto o desleixo dos amantes quando nos olhos não encontro o amor de todos os dias, quando não encontro as mãos a largar o fogo e os corações a fazer do estômago a árvore de repouso para as borboletas dançantes. Tanto desejava ser um dessas que, tão leves e airosas bailam em mim.. em nós.
Deixem-me receber as cartas de quem não as lê, deixem-me ver os rostos de quem tapa os olhos à solidão, deixem-me dar o meu corpo a quem só vive de alma.. deixem-me.. não.. a alma não se dá, partilha-se, guarda-se.
Estou a tomar banho. Sinto as gotas a escorrer as tuas curvas e a tocar nas curvas que outrora pintei de azul.. ou serão minhas? nossas então quando um do outro nos tomamos por chás e banhos quentes de amor.
Quero ver em mim os poemas de um só dia e que da eternidade me chegam sempre que nos agarramos, quero sentir esse cheiro que sem saber descrever me deixa no desmaio profundo de um amor que não perdi, quero viver na imensidão dos cabelos que tocam, molhados, as curvas só tuas.
E perco-me, a cada vez que me deixo por ti.. e me torno na luz, da noite sem fim.

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