quarta-feira, 1 de abril de 2015

Hoje é o fim da loucura, da viagem sem regresso, de França e o sonho. Hoje abandono a mala num avião sem retorno, vou numa viagem em que existe apenas o bilhete de ida e perco completamente o bilhete de volta. Hoje lembro de tudo com mágoa e já não saudade, com a sensação de que tudo se perdeu porque nunca existiu. Hoje era o dia da minha doença, o limiar da minha loucura, a despedida da inexistência.
Sinto a falta dos dias de verão e inverno em que não tinha como ir; hoje não mais tenho como ficar. Sinto a falta dos dias em que sentia tudo; hoje só me sinto a fraquejar. 
Era o dia dos dias, dia de todas as mentiras. E começou nesse dia, a maior de todas que já vivi: a ilusão de toda uma vida, que por ti, sinto que já perdi.
Da inocência ao amor, do amor a loucura, da loucura ao esquecimento. Sinto que o vivi sozinha e sozinha não o viverei mais.
Hoje só tenho como ir e não mais como ficar. Hoje acabo com os dias das mentiras.

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