Consigo ouvir, de novo, o eco do que é o meu gostar de mim. Mesmo que na solidão, o mais certo caminho está aqui. Escrito nas linhas mais pequeninas que tento não ver no meu sentir, no meu amar.
Disse amar - "amo-te" - com leviandade uma vez, não a ti, desculpa por isso. Hoje percebo estar ainda, completamente reservado para ti esse tão carregado amor. Esse tão cheio lugar de papel, minha caneta azul.
Tentei. Juro que tentei eliminar com a maior força essa marca de tinta que deixaste mas nem com o mais forte corretor que despejei em cima de tudo o que escreveste conseguiu. Emendou, não apagou. E com o tempo, cada vez foste ficando mais saliente numa luta de tinta contra tinta.
És a tinta mais forte. A tinta que pinta o verde dos meus olhos e o castanho dos teus.. Como era bom viver desses encantos. Dessas borronas, desses marcadores que me deixam pintar e borratar esses olhos teus de acordo com o meu querer. De acordo com o amor que está aqui, só pra ti.
Queria viver mais uns dias, jogar mais futebol e marcar um golo com o pé magoado para dizer que apesar disso, por ti, eu consegui. Ganhar 1-0 para parecer humilde, eheh. Costumavas gostar das minhas piadas e mandar essas tuas cheias de pinta a que me fui acostumando rindo então só por parvoíce e já sem certeza de ter achado piada.
Lembra-te daquele comboio que sempre foi nosso, das vezes que juntos o vimos passar e pensar que noutros dias seríamos nós a regressar, ou eu, do sítio onde fazia calor da lareira. Onde no colo um do outro nos tornávamos no amor.
Hoje com um enorme beijo, deixo escrito, pelas cartas que jogamos, que espero pela terceira vez de amor e encontros dizendo que não mas sorrindo com o coração.
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