segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Tentei escrever-te uma carta, mas cai-me sempre a ponta do lápis quando tento dizer que te amo. Talvez seja das vezes que apaguei o amor que te tinha com a borracha mais forte da gaveta.
Sabe que dói que aqui não estejas; que dói o amor ficar enterrado debaixo das teclas da máquina em que escrevo, quando o grafite me trai, e que martelo com toda a força para que já nem as cinzas fiquem.
Certo é ser meu esse olhar, que vê mas não sente.. Certo é ter o amor, guardado bem no fundo do peito.
E por mais que tente meu amor, conservar a pinceladas desse teu sofrer para escrever mais tarde a rota em que te encontro, foge sempre o pincel para bem longe para que não possa ter mais o prazer de tocar essa pele de que tão bem me lembro.
Quando era jovem costumava ir buscar o pão, do mais torrado que houvesse, para podermos ouvir o estalar e o rebentar das migalhas de farinha e trigo como se fosse o coração a explodir a paixão.. mas hoje eu sei que esse tão doce som, eram as pedras a cair sobre os meus pés, para que não mais pudesse escalar por ti.

E hoje amor
com amargura e viver
mas ainda acesa pelo teu calor
sei de ti por tanto querer
viver do teu sabor.

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